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Método Feldenkrais®

Aprender a arte da mudança, aprender a ser livre!

Não é fácil explicar em palavras um método experiencial que usa o movimento como ferramenta de transformação, que trabalha a origem do movimento antes que isso seja visível, a nível de sistema nervoso, criando um novo dialogue sensorial para obter uma organização corporal mais funcional e eficiente.

Como realizar as mudanças necessárias para passarmos de uma situação insatisfatória ao bem-estar que desejamos? Como podemos mudar a nossa organização corporal para ter maior mobilidade? Como podemos desenvolver ou aperfeiçoar habilidades ou mesmo, recuperar funcionalidades perdidas? A chave do método Feldenkrais é que não há mudança no corpo e na sua organização sem que haja uma maior consciencialização das ações e da autoimagem. A questão do bem-estar equivale, portanto, à pesquisa das condições que nos permitem descobrir e aprender como mudar os hábitos não saudáveis. Com criatividade e instintos inovadores, Moshe Feldenkrais, concebeu um método prático, acessível e atual para que as pessoas aprendam a realizar mudanças e transformações em si mesmas, utilizando o corpo em movimento como um espaço de pesquisa, um “laboratório”. Esta metodologia de busca permanente permite aprender a descobrir qual é o processo mais adequado para alcançar as mudanças que levem a um melhor estilo de vida.

A verdadeira mudança requer ser consciente! Devagar com atenção.

Todos utilizam o “piloto automático” nos movimentos e nas ações do dia-a-dia, como, por exemplo, na maneira de levantar da cama, nos movimentos para beber um copo de água ou nas formas de andar ou correr. Para evitar que seja o piloto automático a conduzir os movimentos quotidianos, é preciso estar conscientes e o primeiro passo para a toma de consciência é utilizar a atenção no movimento que se está a fazer, nas sensações que este desperta e no processo que acontece para realizar a ação motora.

A toma de consciência acontece, nesse método, através da auto-observação em movimento, afinando a capacidade de auto perceção e criando a situação experiencial que leve o sistema nervoso a reconhecer diferenças cada vez mais subtis.  A verdadeira mudança de hábito só acontece no momento em que novas conexões neurais são formadas, levando o indivíduo a agir de forma diferente. A pesquisa de Moshe Feldenkrais consistiu, portanto, em criar sequencias de movimentos em situações práticas diversificadas, que tornassem o indivíduo mais consciente da sua própria organização motora.

Ao levantar o pé para dar um passo, o que acontece na anca? Consegue identificar em cada passo da caminhada o que os tornozelos, joelhos e ancas fazem? Qual é a conexão estabelecida entre eles? Para responder a todas estas questões é preciso sentir o movimento com atenção, enquanto o mesmo acontece, mas somente a atenção não basta. É fundamental executar o movimento devagar para permitir que o nosso sistema nervoso repare nas pequenas mudanças de organização.  O movimento rápido só pode acontecer utilizando o tal “piloto automático”. Por isso, este método usa a lentidão do movimento ou o “ir devagar” para a tomada de consciência.

A Prática do método Feldenkrais
A aula individual do método Feldenkrais chama-se Integração Funcional. O professor cria o ambiente para que o aluno esteja confortável ao longo de toda a aula, propõe sequências de movimentos não habituais e utiliza as mãos para um toque não invasivo, que tem como objetivo a criação de estímulos para que o sistema nervoso do aluno possa sentir novas opções de movimento.

Por meio da investigação feita pelo seu toque e enquanto toma contato com a pessoa, o professor mantém-se à escuta do que vai acontecendo: como o movimento viaja ao longo do corpo, quais as conexões presentes e qual o padrão de movimento natural do aluno. Enquanto o professor sente e descobre estes elementos, propõe variações e manipula devagar diversas partes do corpo do aluno, que vai sentindo-se através das mãos do professor e vai descobrindo algo da sua organização corporal. O professor de Feldenkrais deve aplicar os princípios do método ao longo da aula, e adaptar as suas propostas às necessidades e à reação do aluno.

As aulas de grupo de Consciência Através do Movimento são aulas guiadas: o professor indica uma posição inicial (deitados de costas ou de lado, sentados ou em pé) e a partir dela propõe sequências de movimentos, descrevendo-as com palavras. Enquanto os praticantes experimentam os movimentos, o professor chama a atenção à sensação gerada pelo movimento e convida a descobrir a conexão entre a parte do corpo que foi solicitada a movimentar e outras que, aparentemente, não fazem parte do movimento. São propostas diferentes variações de movimentos para permitir a cada um aprender a reconhecê-las e a diferenciá-las.

O professor não demonstra como fazer o movimento para não apresentar uma solução ou um modelo de ação, desta forma, possibilita o desenvolver da autoimagem pelos alunos. Ao longo da aula, o professor cria as condições para a auto perceção e cada um é responsável pela interpretação da instrução, tendo que sentir e julgar se o que está a fazer funciona ou não. Ao longo da aula o praticante vai descobrindo como melhorar e/ou aprimorar a sua ação, de forma a tornar o movimento mais funcional.

A orientação é para que todos os movimentos feitos ao longo da aula sejam fáceis; quando o praticante sente desconforto, em vez de prosseguir deve fazer menos, mais devagar e mais leve, até encontrar uma estratégia para executar o movimento sem desconforto. A razão disto é que a aprendizagem orgânica do ser humano só pode acontecer nas situações de segurança, conforto e prazer.

Feldenkrais criou uma infinidade de sessões baseadas em movimentos não habituais e organizações corporais não comuns, para evitar que os movimentos sejam feitos de maneira automatizada. Consegue, assim, despertar a atenção do aluno para o que está a fazer e permite-lhe tomar consciência do seu padrão de comportamento.

Benefícios
A eficácia do método Feldenkrais está no facto de propor ações alternativas, que enriquecem a organização do movimento. A prática do método não é restrita a uma tipologia específica de pessoas, sendo que cada um pode melhorar a sua organização dinâmica, qualquer que seja a sua idade, género e condição física.

O método é indicado para todas as pessoas que queiram melhorar a própria organização funcional e ter um maior nível de bem-estar. Através da prática cada pessoa pode alcançar os objetivos desejados sejam eles em termos de flexibilidade, estabilidade, equilíbrio, leveza ou liberdade de movimento.

Quanto às pessoas que sofrem de dores crónicas, o método auxilia a respetiva reorganização dinâmica, interrompendo os hábitos que fomentam a dor e a indisposição e estimulando a procura de movimentos alternativos, mais harmoniosos e agradáveis.

Para profissionais das artes expressivas, dançarinos, músicos e atores, o método Feldenkrais pode ajudar a melhorar a própria performance, expressividade e criatividade. Isto graças à reativação do processo vital de aprendizagem, que permite remover os limites dos hábitos antigos e abre novas possibilidades de expressão.

O método Feldenkrais, quando aplicado aos desportistas profissionais, pode aperfeiçoar os seus movimentos e as ações próprias do desporto, ajudando na descoberta do trabalho “não necessário”, permitindo aumentar as prestações desportivas.

Quanto aos idosos, a prática do método Feldenkrais cria uma condição adequada para desenvolver a perceção corporal, a reorganização do movimento, a recuperação do equilíbrio e a reconquista das funções perdidas do dia-a-dia (sentar/levantar, dobrar-se, subir as escadas).

Relativamente às crianças, o método pode ajudar, entre outros aspetos, o desenvolvimento da autoimagem, a superar dificuldades de aprendizagem e problemáticas ligadas a danos do cérebro ou do sistema nervoso como no caso da paralisia cerebral.

 

[*] Parte do texto aqui apresentado foi escrito por Serena Ramovecchi para o livro Entre o Ser e o Estar, Técnicas Somáticas e Praticas Performativas, Edições FMH, ISBN 978-972-735-223-4

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