Camões 5 Séculos de Lusofonia

Camões, o enigma do dia do seu nascimento desvendado pelos astros!
Foi na década de 80 que tive acesso a um livro que me despertou para a história da astrologia em Portugal, este livro foi-me recomendado por um amigo, e intitulava-se “Memórias astrológicas de Camões” de Mário Sá publicado no ano de 1939 a 1ª edição.
O ano de nascimento do poeta é sabido e as fontes oficiais relatam-nos como sendo o ano de 1524, mas em relação ao dia e ao mês de nascimento nada se sabe nos compêndios de história.
Vamos então verificar a tese de Mário Sá na palestra que irei dar na Feira Alternativa em Setembro de 2024 quando este autor afirma que Camões nasceu no dia 23 de Janeiro de 1524.
Na época de Camões a astrologia era conhecida como profética ciência (canto X LXXXIII)
Em primeiro lugar irei demonstrar astrologicamente porque é que o ano de 1524 é o ano de nascimento de Camões. A partir dos seus versos verificamos que ele detinha um profundo conhecimento da ciência astral. Pelas suas palavras veremos como é que chegamos ao signo de Aquário, e finalmente também acabamos por detetar o dia e a hora de nascimento do poeta.
Na sequência desta apresentação darei uma série de exemplos de como era o papel da astrologia na corte e no meio cultural da época nos séculos XV e XVI em Portugal.
Para quem não está a par da importância deste saber tradicional, basta referir que no século XVI havia uma cadeira de astrologia judiciária dada na Universidade de Lisboa.
Muito haveria por dizer, mas só queria vos lembrar que os dois maiores poetas da língua portuguesa abraçaram o conhecimento astrológico, refiro-me a Luís de Camões e Fernando Pessoa, assim como o grande dramaturgo Gil Vicente.
A palestra sobre Camões e a astrologia irá incidir nestes pontos, irei fazer alusão ao enquadramento histórico da época sem deixar de referir o epifenómeno de Alcácer Quibir como acontecimento traumático e transfigurador de toda a epopeia portuguesa.
Com a entrada da inquisição em 1536 no reinado de D. João III os saberes tradicionais foram gradualmente esquecidos e a astrologia foi perdendo o seu papel de mediador entre a terra o que veio a acentuar-se mais no reinado dos Filipes.
Foi preciso esperar pelo aparecimento de Bandarra e Padre António Vieira para que o espírito messiânico voltasse a renascer.
Após esta celebração do poeta mais luso que tivemos, em 2025 voltarei para homenagear os 90 anos da morte do poeta mais holístico de todos nascido em terras lusas.
Texto de Luís Resina





